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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Perfil de Autora: Especial MEG CABOT


Era pra virar na rua à direita, bem naquela que tem uma placa vermelha de trânsito e a loja de cortinas, mas apareceu uma noiva com vestido curto pedindo socorro e implorando pra ir pro ponto de ônibus mais próximo. Era pra dizer que não, que tinha que virar à direita mesmo, porque estava atrasada para o compromisso com o namorado e que vocês iam jantar e ele ia te pedir em casamento, porque Alice, sua melhor amiga viu ele entrando numa loja de joias. Era pra impedir a moça de vestido curto e gritar com ela quando ela invadiu seu carro e jogou em você o colar de ouro que aparentemente o bastardo do ex-futuro-marido dela (ela achou ele na sinagoga beijando a meia-irmã) deu. Era pra não aceitar o colar de ouro como pagamento pra levar ela pro ponto de ônibus, mas seu serviço de meio período como secretária não cobria todas as despesas com a faculdade e as aulas de piano. Era pra ter carregado seu celular na noite anterior, assim agora você teria bateria pra ligar pro seu noivo-futuro-marido e explicar que você tinha uma noiva histérica no seu carro e que ela jogava colares de ouro como pagamento, por causa disso você não estava virando a direita e que sim, você estava se sentindo mal por não poder chegar a tempo no restaurante francês que vocês combinaram, mas Suzie, sua irmã mais nova, ruiva e de sardas, dormiu na sua casa ontem e insistiu pra você não deixar o celular carregando a noite inteira porque "ele pode explodir, Kel". Era pra ter não furado o sinal vermelho, mas a noiva de vestido curto estava gritando demais, e você queria se livrar dela. Era pra não ter furado o outro sinal vermelho, porque o cara de moto estava avançado e ele não tinha visto você (estranho, porque seu carro era verde, mas essa não é hora pra esses detalhes). Era pra você ter ido no almoço com seu namorado, Colin, mas você acabou no hospital tomando sopa sem sal e no mesmo quarto que alguém muito enfaixado. Era pra ir ver como estava a moça do vestido de noiva e pedir desculpas, mas a moça do uniforme azul disse que ela já tinha tido alta. Era pra não ter levantado na cama do hospital, porque assim você não ia ter uma cãibra e quase cair. Mas era pra ter caído, porque assim pelo menos você não ia esbarrar no doutor de óculos de um metro e oitenta e achar ele engraçado e inteligente. Era pra ter se mudado pra outro país, porque assim você não ia aparentemente esbarrar nesse mesmo doutor toda hora e se apaixonar por ele. Era pra não ter aceitado o pedido de casamento do seu namorado, três semanas depois que você deixou o hospital, porque assim você não ia ter que explicar pra ele porque estava beijando o doutor de óculos, que por acaso se chamava Horton, e você achava esse nome horrível. Era pra, ah não, você ia ter que explicar de qualquer jeito, ele era seu namorado. Malditos detalhes. Era pra ser uma história estilo Meg Cabot, onde tudo fica engraçado apesar de altamente improvável, mas ela é tão boa que nenhuma viagem mental minha poderia chegar aos pés do que ela escreve. E era pra escrever alguma coisa que fizesse sentido, mas eu deixo a parte de elogios e explicações do porque a Meg é tão diva pra Cynt, porque pra mim Meg é isso. Roteiros sem nenhum sentindo com as situações mais improváveis. Personagem principal com todos os problemas do mundo e os melhores mocinhos. Meg é gênio, pra mim só resta ir lavar a louça então e parar de tentar ser criativa haha.